Lourrane Carolina

sobre

Lourrane Silva, 23 anos, é moradora de Teresina, Piauí. Desde criança, teve que lidar com a dislexia, que atrapalha o seu processo de aprendizagem. Através da mãe, ainda na infância, teve contato com a arte e esse encontro a incentivou a desenhar e pintar. Posteriormente, essa relação a ajudou a conviver com a própria dislexia.

Ela começou a desenvolver a arte após entrar no coletivo Geleia Total, que divulga a área artística e cultural de todo o estado do Piauí. Lourrane passou a se identificar como artista visual após a entrevista que concedeu à uma emissora de televisão. Aquele foi o primeiro momento em que se sentiu pertencente ao ramo, porque, antes disso, considerava a arte apenas um hobby.

No início, representava o corpo e as feições humanas, mas, com o tempo, conheceu outras técnicas de pintura e aderiu ao estilo mais abstrato com utilização de cores primárias. Lourrane, recentemente formada em Arquitetura e Urbanismo pela Estácio, diz que ao andar em um espaço, busca pelas linhas e pontos de fuga, mas, na área artística, ela foge totalmente desse modo de pensar, elimina linhas, ângulos e até mesmo o espaço.

As figuras que Lourrane pintava em suas obras mais naturalistas tratavam-se de corpos negros, pois acredita na importância dessa representação. Agora, no estilo mais expressionista abstrato, trata de assuntos que a sensibiliza, com os casos de violência contra pessoas negras e faveladas no Brasil, e outras questões mais intimistas.

Para Lourrane, ir para além da margem significa deixar o pensamento amplo para aceitar novos desafios, é fugir das margens e linhas dispostas e buscar histórias além, conhecer outras versões de si mesmo e de outras pessoas. É ver a moldura e saber que ela também faz parte da obra e que não está ali apenas para ornamentar, mas pra contar uma história também.

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